Tanto tempo sem escrever, a cabeça fica ate confusa por onde começar. Mas vamos lá.
Aproveitando a deixa, sobre observar e absorver, e sobre o quanto as pessoas preferem reflexões sem conclusão...
No tempo que passei fora, meu foco principal era realmente ficar em recluso. No primeiro momento eu tinha sede em tentar escutar o que minha mente tava falando, porque ela parecia gritar, mas eu não escutava, porque tinha muita gente ao meu redor, muita mesmo, muita opinião, muita "receita para ficar melhorzinho", pessoas que eu não conhecia, que não me conheciam.
No segundo momento, foi uma luta para não desequilibrar, porque simplesmente as pessoas não entendem isso, é mais fácil entender que eu não gostava de ninguém, e que eu tinha essas atitudes porque eu era uma pessoa ruim, escrota, e pronto e acabou.
E daí eu passei pela experiência de realmente estar sozinha.
Mas não era o que eu queria? Não era o que eu queria não, queria ficar de boas na minha, apenas.
Eu sendo a pessoa da esquerda, na vida.
Até quem era mais próximo começou a se distanciar, pra não arranjar encrenca com quem tava "me castigando" por não fazer a social.
Nesse caso, de cara, era bizarro, porque eu mal conhecia as pessoas, mas com pessoas que "me conhecem" a muito tempo acontece a mesma coisa, ninguém quer marcar algo individual, que na minha opinião seria a manifestação de algo realmente verdadeiro, todos querem cobrar que haja uma participação em grupo, não importa se você goste ou não disso, não importa o que esteja acontecendo na sua vida, na sua cabeça...
E esses "castigos" vinham de forma sutil até ficar bem descarado, tipo parar de falar comigo declaradamente, sem eu ter feito nada pra isso, me boicotar de reuniões dentro do meu próprio flat, atitudes em geral, que constrangiam pessoas ao redor que não entendiam a gravidade do que eu tinha feito, nem porque estavam no meio desses fuzilamentos, simplesmente porque eu não comparecia aos eventos sociais, porque queria ficar na minha lá de boas.
Isso foi um grande choque pra mim, ver que muita gente, que eu mal conhecia, que mal me conhecia, querendo me deixar mal, por não corresponder expectativas tão superficiais, e o pior, não falavam, não se comunicavam, era como se me fazer sentir mal fosse mais satisfatório do que eles se sentirem bem.
Mas vida que segue, ainda que seja ruim passar por algumas coisas, sempre tenho em mente que o bem se paga com bem, então eu não precisava remoer minha mente com atitudes egoístas de pessoas que não se importavam com nada além delas mesmas, e logo fui aprendendo a conviver com isso, até porque o principal objetivo disso era aprender a equilibrar, se amar...
Acho que distanciar, ficar na sua, não significa cortar relações, não significa que acabam os sentimentos, assim como acontece, quando alguém se distancia porque foi morar longe, no caso de falecimento, e também quando a pessoa precisa ficar distante por ela mesma, por conflitos internos.
Ainda que haja alguma discussão, desentendimento, ou falta de encontro de assuntos,quando alguém decide se distanciar, não quer dizer que isso é desamor. Não é desamor evitar abrir feridas até que isso se torne um trauma. Evitar isso é eternizar esse sentimento sem aprisionar ninguém a ele, entende?
Eu não sou o tipo de pessoa que tem problemas com outras pessoas, o que eu quero dizer é, encontrei durante minha vida toda, pessoas que tiveram histórias, e sentimentos muito diferentes dos meus, e nem por isso, eu vi nesse encontro, um motivo pra que esses fatos me repelisse dessas pessoas, muito pelo contrário, sempre tive respeito em mente. Mas muitas vezes a reciprocidade não era verdadeira.
Mas quem quer pensar sobre isso ne? Ninguém. É muito mais fácil pensar que não houve amor, que tudo não passou de encenação, do que simplesmente deixar as posses/ciúmes de lado e respeitar. As pessoas querem pensar mal por sobrevivência, simplesmente por falta de reflexão.
E o que é Amor ?
Acho que isso é muito amplo, mas eu comecei pelo o que NÃO É AMOR. Como por exemplo, será que amor é considerar pior uma traição do que a morte da pessoa? (Isso verdadeiramente viu!? Porque quando a pessoa morre, muitas vezes ela não tem a opção de escolha, a traição é uma escolha! Esse pensamento vai além daquela "cartilha de ética" de sentimentos que a gente deve ou não declarar que sente) Será que amor é minar os relacionamentos de uma pessoa por medo de ser substituído? Será que amor é centralizar suas ações em tudo que diz respeito a gente, e somente a gente? Eu entendo que não, que nada disso é amor.
Na verdade, tudo isso é egoísmo. E egoísmo é o verdadeiro oposto do amor. E eu tenho tentado refletir e me afastar do egoísmo cada vez mais, mesmo sendo difícil, porque a forma como que tudo foi construído ao nosso redor, nos faz tender ao individualismo, a "garantir o meu primeiro", a "não ficar de otário".
E infelizmente a gente ta vivendo num mundo egoísta. As relações estão ficando cada vez mais superficiais e expostas, as pessoas guardam rancor de curtida no facebook.
"Cara, tu comentou na minha foto e não curtiu, você não gosta de mim"
Teve uma vez que uma menina me desabafou sobre um monte de regra de etiqueta de rede social, que até hoje eu, na hora de interagir, faço um check-list pra me certificar de não estar sendo mal interpretada.
Gente, o que que ta acontecendo?
As vezes eu me sinto como se as pessoas quisessem que eu falasse "Ah, não gosto de vocês", mas não é o caso, me sinto como um ser humano normal que precisa de tempo pra construir pontes de relacionamentos, mas em primeiro momento, nas minhas redes tem pessoas que admiro, gosto, ou sou indiferente.
As vezes me pego pensando, se na realidade todo mundo se odeia, e estão numa competição de quem finge melhor que não se odeia, e as pessoas meios avoadas são alvos fáceis de repressão daquilo que eles reprimem neles mesmos?
Eu não entendo as lógicas, dsclp.
As pessoas estão ficando cada vez mais expostas umas as outras, e ao invés de se aprofundar nisso, preferem arranjar motivos pra categorizar, catalogar e descartar pessoas o mais rápido possível. Isso as mais legais, porque tem uma galera que quer mesmo é colecionar gente pra curtir as coisas que ela expõe, pra parecer sabe-se lá o que pra sabe-se lá quem...
Isso é amor?
As vezes eu fico olhando os passarinhos na natureza, e fico refletindo em quanta verdade e liberdade eles vivem ne? Eles voam, e ficam por aí comendo umas frutinhas, espalhando sementes, e quanto de amor tem nessa natureza deles, que faz crescer mais árvores, e os filhotes deles terão condições de fazer o mesmo. Uma missão baseada em amor, na verdade tudo na natureza é assim, é amor.
E o ser humano avacalha até essas observações, desmatam, e prendem pássaros na gaiola.
O que seria prender um pássaro na gaiola? Um ato desesperado de ciúmes?
"Ah mas eu não prendo pássaros na gaiola!"
Mas o que eu faço com meus amigos, quando estão distantes em mente ou fisicamente? O que eu faço com meu namoro que não ta dando mais liga? Com as pessoas que foram importantes na minha vida, e eu fiz questão de atormentar a cabeça, porque não sei respeitar as escolhas dos outros? O que eu faço com meus colegas de trabalho, quando organizo eles como alvos a serem alcançados e eliminados?
Gente, tem muito sentimento ruim nisso aí.
Numa frase adaptada, de um livro, a resposta para sentimentos ruins vem como a roda da carroça que acompanha o compasso do cavalo.
O desafio da nossa geração, é o equilíbrio. Tudo que a gente faz, vira um conjunto de nuances da nossa personalidade, e quando a gente precisar se entender (porque a vida cobra) a gente se perde, porque se afastou de uma reflexão, ou se tornou algo que não entende e portanto não confia, ou se tornou uma péssima pessoa.











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