Fim de eleição


    Acho que meu silencio esses dias, junto com as coisas que eu vi e li me fizeram vir aqui hoje escrever um pouco, até como forma de desabafo.
    Porque a gente vive? Porque nos estamos aqui? Acho que esses últimos anos da minha vida eu me questionei umas cinco vezes diante da morte: de uma forma estúpida, de uma forma abrupta, de uma forma injusta, de uma forma precoce e de uma lenta.

    E diante dessas cinco vezes eu pude me sentir viva, quando estive do lado dos que ficaram. Como gente, como humana. A vida é nossas relações! As pessoas, nós, somos feitos de sentimentos, nós precisamos um do outro. 
E é meio clichê falar isso, principalmente pra aqueles que nunca passaram por uma situação em que um mão amiga foi fundamental, ou que nunca souberam enxergar o valor disso, muito menos retribuir ou agir assim por si só. Esses dias vi muita gente batendo no peito, falando que sabe o que é bom ou ruim pra 250 milhões, e eu pensei, como pode ter tanta certeza que sabe o que é bom pra alguém, sem viver realidade parecida? E o discurso de resposta ja começa com “Eu vi um documentário”… Se vocês se importassem mesmo, será que o discurso começaria assim?



    Eu tenho um exemplo prático dentro do meu flat, aqui nos temos 7 pessoas, me diz vocês, tem necessidade de ter 7 frigideiras? Pois é, acho que não. Eu comprei uma frigideira, e não tenho problemas quando usam minha frigideira, e quando eu chego na cozinha e tão usando minha frigideira, eu pego outra frigideira, ou espero uma vagar. Mas tem gente que prefere se indispor com o flatmate, porque é incapaz de fazer esse procedimento. É incapaz de lavar uma colher a mais que esteja na pia pra aproveitar o detergente da esponja…
     Sabe o que é isso gente? Meritocracia
   Porque eu preciso emprestar meus utensílios domésticos, se eu fui lá e gastei meu dinheiro sozinha nele?
     Porque eu vou lavar uma coisa que eu não sujei? Lave quem sujou.
     Porque eu vou ajudar alguém? Não é responsabilidade minha!

    E por aí vai, batem no peito pra dizer que sabem o que é melhor pra 250 milhões, mas não sabem o que é melhor pra um grupo de 7 pessoas.

    Pessoas que vivem falando por aí, que o governo deveria fazer isso, ou fazer aquilo, e quando vc pergunta, o que é que essas pessoas querem fazer pra mudar alguma coisa elas dizem “Eu não tenho o poder”, não trabalham com a possibilidade de um dia poder fazer alguma coisa por alguém, “e se…” nem isso! Um trabalho social, uma doação… nada parte desses corações enormes que sabem tão bem o que é bom pra 250 milhões.

    Já tem um tempo que esse pensamento tem me assombrado, e acho que foi por causa disso que eu sofri tanto nesse período eleitoral com esses comentários. Porque em parte eu me sinto como essas pessoas que não fazem nada por ninguém.
    Aqui no Reino Unido não tem cracudo com fome na rua, não tem morador de rua, aqui é lotado de idosos que não aceitam sentar quando você se levanta, e não ouse fazer isso com uma mulher. E um lugar tão fechado a ajuda, me consumiu um pouco.
    E esses dias eu tava na academia, e uma menina na minha frente começou a fazer um exercício, e a feição dela foi mudando de normal pra puro sofrimento, até que ela chorou. E isso tudo gente, era porque ela queria definir a batata da perna.
    Não deu pra ignorar, ou rir disso. Nada contra com quem tem seus objetivos na academia, mas aquilo me perfurou, e daí cada vez que eu empurrava aquele peso com as pernas, meu pensamento voltava pra o quanto aquilo que eu tava fazendo não tava gerando nada de bom pra ninguém, só, talvez, pra minha vaidade de querer, de repente, estar com a parte posterior da coxa definida. E daí eu parei gente.
    Não que estar com a parte posterior da coxa definida fosse me fazer mal, mas sim porque eu coloquei a academia antes de coisas que eu tinha que ter resolvido antes. Não foi pra ter a parte posterior da coxa definida que eu virei a minha vida de cabeça pra baixo.

    Eu saí dali naquela hora e cheguei em casa pra resolver isso, esse chamado por se sentir viva, que eu simplesmente ignorei até agora. Não ta sendo fácil, aqui é tudo muito burocrático, não é como no Brasil, que é uma coisa que você pode ir na rua e fazer, o que de certa forma está sendo construtor pra mim, porque o que eu pretendo fazer é uma coisa maior e que eu posso fazer pra vida toda sabe?

    Torçam por mim, que eu consiga realizar algo aqui construtor, e que eu consiga fechar esse ciclo de mudança e de felicidade, em memória das nossas amigas, das nossas pontes e principalmente das nossas falhas.


3 comentários:

s2 disse...

Desejo, é isso que move as pessoas para irem onde quer que elas queiram ou conseguir o que quer que queiram. Fico feliz que o seu desejo é ir além de si mesma!! Pode ter certeza que se não deixar morrer este desejo, não deixar que as circunstâncias o coloquem como uma menor prioridade na sua vida, com persistência você vai chegar lá! Vai conquistar pessoas, melhorar suas vidas, atingir seus corações... só não deixe o desejo morrer!

=)

Que a sorte e os anjos estejam ao seu lado menina!

E que Deus te abençoe!

Unknown disse...

Incrível!!! Moramos juntas,mas foi preciso vir aqui p/ descobrir mais a fundo a Thalissa. Me orgulho d vc e d tê-la conhecido. Avante,menina,vai fundo q teu futuro promete. Bjão da Re

Unknown disse...

Incrível!!! Moramos juntas,mas foi preciso vir aqui p/ descobrir mais a fundo a Thalissa. Me orgulho d vc e d tê-la conhecido. Avante,menina,vai fundo q teu futuro promete. Bjão da Re

Postar um comentário

Obrigada por participar!!! xD