Eu ando apenas observando essa onda de gente falando que bom mesmo é viver no exterior, e queridos amigos, somando minha experiência no exterior, eu pergunto a vocês: Será mesmo?
Eu morei fora do Brasil por 1 ano e 3 meses, e vi por lá vários tipos de Brasileiros: os que vão turistar, e pintam na frente deles o quadro das maravilhas, obviamente, estão viajando apenas para relaxar e curtir o momento, certo!? não entram em contato com a realidade e os problemas do pais, vão pra casa e tudo ótimo....Também tive contato com vários brasileiros que vivem por lá fazendo a mesma coisa por anos, não se envolvem com as questões do país, criam uma rotina de alienação e vivem o que eles querem viver... E os brasileiros que estão por muitos anos por lá e já sentem o peso do que é está em um outro país: Os problemas só mudam, eles não deixam de existir.
Nós todos temos a mania da melhora, grande parte das pessoas que estão com boa vontade de sair da zona de conforto, quer procurar algo melhor pra vida delas. Então vamos a um exemplo cotidiano que aconteceu na minha vida, que você pode procurar na sua vida que você vai achar uma situação semelhante: O pessoal que morava no Woodside (mesma vila, mas eles moravam mais pra dentro), falavam que moravamos melhor porque estavamos mais perto da lavanderia, do office, da rua, e que ali era mais movimentado. Nós que moravamos na frente, achavamos que o apartamento deles era mais espaçoso, a madeira era mais forte, e até que a janela deles abria mais que a nossa. Mas a realidade é que nossos apês são ruins e bons ao mesmo nível, só que de formas diferentes.
hahahahah Isso acontece porque temos mania de ignorar nossas qualidades e só ver as qualidades do outro.O que eu quero dizer é que nos vemos em puro defeitos e vemos o outro em pura qualidade. Eu acho que isso até inspira a gente a melhorar, mas não demora muito pra começar a atrapalhar muito mais do que ajudar.
Gente, todo mundo vive "umas coisa tensa". Nosso país ta vivendo uma confusão em relação a exigência capitalista do mundo (vamos por nesses termos rs), as pessoas passam a perna um nos outros, agem no desamor no cotidiano, corrupção, troca de valores, assaltos, poder paralelo, entre outros, sendo esses que eu citei os que mais ocorrem. Por sua vez, no Reino Unido, a galera convive com o suicídio como causa mais alarmante (uma noticia aqui aqui aqui)
Os números nem parecem muito altos, mas lá quase todo mundo conhece alguém, ou teve um parente, ou um vizinho que tirou a própria vida. Eu tive a oportunidade de me voluntariar na British Red Cross, e já na minha entrevista me foi perguntado se, se o telefone tocasse eu atenderia, porque do outro lado, muito provavelmente, poderia ser uma pessoa em desespero pronta pra tirar a própria vida. Além do problema da eminência constante dos ataques terroristas ( os quais também eram assuntos de abordagem na Cruz Vermelha)
E ultimamente o que mais se fala é sobre os refugiados da Síria. A grande maioria da Europa, grande mesmo (os bons são a maioria, como diz a Coca-Cola rs) está fazendo de um tudo pra poder ajudar, deixando o sentimento de humanidade passar por cima das regras da economia. Mas existem muitas manifestações de ódio, de ruindade pura, contra essas pessoas, e contra outras também. Uma diversidade de ódio absurda. E sei lá gente, as vezes parece que as pessoas aqui tão meio que lutando contra Sauron ou Voldemort de vez em quando sabe? É bizarro, parece coisa de história, mas você vê notícias dignas de um vilão da Disney: Comensais da Morte atacam mais uma vez
"MAS THALI EU NÃO AGUENTO COM A IGNORÂNCIA DO POVO BRASILEIRO, COMO PODE..."
Gente, a complexidade que gera a ignorância de parte da nossa população não pode ser ignorada. Infelizmente temos diversos fatores (e queira Deus que não sejam incontáveis) que nos faz está imerso nesse looping de ignorância que atravessa gerações e gerações. Eu sei que isso se reflete em coisas simples, como por exemplo, a integridade física do cara que barra a porta do trem, mas nunca podemos deixar de levantar questionamentos e discussões sobre as realidades do cotidiano quando se trata da questão do outro, não é mesmo? Afinal, vivemos em sociedade, ignorar a questão do outro reflete a questão dele de forma direta ou indireta nas nossas questões. Então o que leva um cara barrar a porta do trem? Será que esse trem transporta pessoas em condições humanas? O que leva uma pessoa não reunir discernimento sobre o resguardo da própria vida?
Infelizmente, galera, a questão da ignorância não acaba quando atravessamos a fronteira ou o oceano.
"O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças está preocupado com surtos de sarampo na Europa. Na origem destes surtos estão grupos anti-vacinação - pessoas que não deixam os filhos serem vacinados, uma situação que está a facilitar o regresso de uma doença quase eliminada do continente europeu. "
Gente, não tenho uma reportagem sobre a origem dos grupo anti-vacinação, e mesmo que tivesse pensaria muito em colocar algo sobre essa galera aqui, porque é de uma falta de noção tão grande, que MATA crianças pra sarampo, muitas. E como disse o cientista na reportagem "Não há necessidade disso"
Aí você me fala "Nossa Thali, que doideira isso", e eu te respondo "Sim, que doideira"
Além dessa questão, ser imigrante em um país muito provavelmente vai te trazer algum problema em algum momento, independente de quem você é, o preconceito é muito marcante quando você sai de um país em desenvolvimento e vai para um país desenvolvido. Na primeira crise as pessoas que acham que você não deveria está ali aparecem (as vezes elas aparecem sem a crise também).
Ao mesmo tempo, você pode conseguir um emprego que te pague melhor, você tem um poder de compra maior (dependendo da moeda do lugar), talvez ter filhos em outro país pode acarretar numa maior estima de futuro pra eles (ou definitivamente não, mas isso é outra discussão), você pode contar com uma gama de produtos e serviços que funcionam em países desenvolvidos e que não funcionam aqui.
Bom, se você quer sair do país, pesquisa bem antes, procura saber das notícias locais, qual é o maior medo das pessoas comuns de lá, o que elas mais gostam, e não arrisca sair com a certeza de que você vai ser mais feliz lá.
MAS THALI, VOCÊ NÃO GOSTOU DESSE TEMPO FORA ENTÃO?
Amei, com cada pedacinho do meu coração. Amei as pessoa, amei os problemas, amei as diferenças, e isso tudo sem precisar ignora-las.
E com esse texto eu espero não ter respondido a pergunta, porque ela engloba coisas tão complexas que é uma pergunta sem resposta. Depende do lugar, depende da pessoa, depende de como essa pessoa se relaciona com a vida e por aí vai!
Tópicos não abordados que podem te levar a depressão no exterior:
- Achar que só o Brasil tem problemas.
- Achar que qualquer lugar é melhor que o Brasil.
- Achar que só porque um país é desenvolvido que você vai ser feliz lá.
- Saudade da família e amigos
- Saudade da família e amigos
- Clima (frio demasiado por exemplo)
- Comportamento social local
- Comida
- Logísticas
- Burocracias locais
- Preconceitos
- Isolamento
- Peculiaridades culturais
- Outros
Tópicos não abordados que pode te levar a felicidade no exterior:
- Oportunidades (pode ser que você consiga fazer o que você tanto quer)
- Moeda local (pode ter um poder de compra muito grande e você poder fazer comprinhas com mais frequência, economias, e outras milhares de coisas que da pra fazer com dinheirinhos $$$)
- Clima (as vezes você prefere frio de forma verdadeira, por exemplo)
- Comportamento social (as vezes você se encontra com o comportamento social de outro lugar)
- Comida (as vezes no lugar tem comidinhas gostosinhas)
- Logísticas (TEM LUGAR QUE DA PRA SE DESLOCAR DE BOAS, até de bicicleta )
- Burocracias locais (tem lugar que tem banco que te deixa resolver tudo pela internet sem dificultar sua vida, que é fácil trocar um item, ou desistir de uma compra, ou pedir reembolso de um serviço que você não usou mas contratou e até trocar um suco ruim no mercado...)
- Peculiaridades culturais (as vezes você começa a admirar o costume das pessoas locais no cotidiano por exemplo)
- Outros
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- O que tem o ebola em relação ao sarampo?
Tudo e nada. Eu não sou epidemiologista, nem nada parecido pra dar essa informação bem completa rs, mas pelo o que eu soube a epidemia de ebola foi uma crise humanitária, e geralmente quando isso acontece sempre tem surto de sarampo em seguida. Provavelmente porque as pessoas devem ficar dominadas pelo medo achando que a vacina vai fazer mal, não bem, e não tomam.
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